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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

A loucura do regresso às aulas

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É sabido que o mês de regresso às aulas é caótico para quem tem miúdos. É começar o mês de Setembro e os pais todos a desejar que ele chegue ao fim!

É que Setembro nem é carne nem é peixe. Já não podemos deixar os miúdos andar na selva das férias de verão, mas também ainda não voltámos à normalidade dos dias de escola.

Setembro dá trabalho! Lá vamos nós passar 3 horas no supermercado a comprar os materiais escolares, e fatos-de-treino, e sapatilhas… e a porra dos hipermercados, para nos dificultar a vida, ainda arranjam ideias cretinas tipo “mochilas com colunas de som”. A sério, estão à venda este ano num hipermercado que eu não vou mencionar, mas que dizem que “o que rende, é ir ao c…”

 

Senhores dos hipermercados, com todo o respeito, vocês estão parvos?? Já ouviram o barulho que fazem 2 centenas de crianças no recreio da manhã? É que a aldeia dos macacos do jardim zoológico não lhes chega aos calcanhares… agora querem juntar a isso algumas dezenas de putos a competir com mochilas sonoras? Eu juro, se fosse professora processava-vos. Quando o meu arregalou os olhos para essas mochilas ouviu logo um valente “é que nem te passe pela cabeça!”

 

Já para não falar das 3 horas na mesa da sala, às voltas com o papel autocolante a tentar forrar os livros e a desesperar com as bolhas de ar que teimam em aparecer.

No final, e como se não bastasse, ainda temos de escrever 200 vezes o “nome, nº e turma” em 24 lápis, 24 canetas, 3 estojos, borracha, afia, 10 cadernos, mochila e etiquetas da roupa.

Argghhh, nos últimos anos já escrevi tantas vezes o nome do meu filho que ele deixou de fazer sentido. Escrever o nome dele ou escrever “bananas bananas” tornou-se igual.

 

Este ano rebelei-me e disse-lhe “Já tens idade para identificar o teu material, diverte-te. Ou então não identifiques... não é por aí que ele vai aparecer quando tu o perderes a meio do 1º período”.

E pronto, está quase no fim. Sobrevivemos a mais um mês de Setembro…

Não são Portugueses, não são Europeus... mas são seres humanos em perigo de vida.

Começo a ficar irritada com os movimentos contra a ajuda aos refugiados, não porque não tenham todos direito à sua opinião (200% a favor da liberdade de expressão) mas repito aqui alguns comentários que fiz a esse tipo de posts:

Essa é a mesma mentalidade dos que são contra as associações de defesa dos animais "Com tantas pessoas com necessidades preferes ajudar os bichos?". Cada um deve ajudar as causas que lhes tocam e fazem sentido para si. E não é verdade que os Portugueses não ajudem os próprios, nesta altura de crise multiplicaram-se as instituições de solidariedade, os voluntários e as doações... Eu ajudo os mais próximos como posso, de uma maneira mais directa até. Através de doações de vestuário, recolha de alimentos ou tudo o que está ao alcance. Neste caso, não estando próxima das pessoas que precisam de ajuda, a minha intervenção passa pela escrita. Com palavras também se move o mundo.

E atenção a dois pontos em que poucos estão a tocar: 1º os refugiados que vierem para Portugal não vão ser ajudados monetariamente com fundos nossos (haverão fundos europeus destinados para o efeito). Por cada refugiado acolhido Portugal vai receber X para "o sustentar". 2º Temos imensos jovens que foram obrigados a emigrar por falta de trabalho em Portugal. (todos temos um caso próximo, um amigo, um filho, um sobrinho, um afilhado). Como é que queremos que eles sejam tratados nos países para onde foram? Como parasitas que foram roubar o trabalho aos locais? Ou como pessoas qualificadas que fugiram à pobreza e ao desemprego e que merecem lutar por oportunidades onde as há?

Por fim: Eu compreendo essa imensa vontade de ajudar primeiro os nossos antes de acolher mais necessitados. Mas estamos a falar de uma crise humanitária de gigantescas proporções!!!!! Alguém tem de fazer algo. Não são Portugueses, não são Europeus, mas são seres humanos em perigo de vida. Não é porque simplesmente correm o risco de dormir na rua e só se alimentarem em instituições. É porque fogem da guerra, fogem de ver os seus filhos mutilados, as suas filhas violadas e vendidas, o seu mundo destruído. Todos devem ajudar, os que podem mais e os que podem menos. Tantas vezes vemos pessoas a ajudar os outros quando mal têm para si!

Refugiados: choquem as pessoas por favor!

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 Vejam se entendem uma coisa: eles não procuram uma vida melhor. Eles procuram sobreviver. Hoje li vários editoriais em que as publicações se debatiam sobre se deviam publicar ou não as imagens de crianças mortas a tentar chegar à Europa. As imagens que os jornais nos mostram são chocantes? A realidade do que está a acontecer é que é chocante! Choquem as pessoas por favor! Choquem-nas. Deixem-nas arrepiadas de horror e com lágrimas nos olhos. Porque as pessoas precisam desse choque de realidade para agir. Orgulho-me de pensar que nós portugueses partilhamos a fatia de pão com quem mais precisa, mesmo que seja a última. E quando vamos para a cama com o estômago a roncar, vamos com o coração cheio de alegria pela diferença que fizémos. Eu não quero fazer parte de uma Europa que ergueu muros e deixou milhares a morrer do lado de fora. Não quero viver numa ilha rodeada por um cemitério de corpos e corpos amontoados que morreram a tentar entrar. A recusa em ajudar alguém que corre perigo de vida é matá-la com nossa a indiferença. Não nos vamos fechar nesta redoma e justificar esse acto com a nossa própria crise económica. Sim, Portugal está em crise, sim também temos crianças com fome por cá e famílias a viver em pobreza extrema. Mas...nós temos esta crise humana em Portugal criada por uma crise económica de dividas de má gestão. A Grécia também a tem, pior ainda. E quantos refugiados estão a entrar na Grécia pelo mediterrâneo?? Vamos entrar numa discussão sobre que países têm ou não condições para os acolher? Isso é empurrar para os outros... Lavar as mãos do problema que é urgente, de direitos humanos e que dizemos "não é nosso". A pobreza em Portugal tem sim de ser combatida, mas ajudar os outros não implica não ajudar os nossos. Já dizia Amália Rodrigues; "Numa casa portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa. e se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co'a gente. (...) A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente."

Leggings floreados

Já aqui escrevi que acho que as novas tendências da moda andam a transformar as nossas crianças em palhacinhos.

Parece-me também que a nova moda favorece largamente os pais das meninas. É que ando a reparar nas calçadas portuguesas que meninas deixaram, pura e simplesmente, de comprar calças. Andam todas de leggings ou jeggings… o que deve sair bem mais baratinho aos papás!

Estas leggings com floreados e uns padrões inspirados nas batas da minha avó são o equivalente às calças de bombazine com ursinhos dos anos 90, que fazíamos birras de meia-noite para não vestir. A diferença é que agora são ”cool”.

Quem neste mundo se lembrou que conseguia meter miúdas vaidosas a usar os padrões das batas da minha avó? É que garanto que no outro dia vi um padrão igualzinho… As leggings das meninas combinam-se com os tops largos acima do umbigo (lá está, mais uma vez a poupar tecido).

E, vá lá, parece que a moda dos tops em laranja e rosa fosforescente está finalmente a desaparecer. É que aquilo era coisinha para ser confundido com coletes reflectores e causar um acidente de viação aos condutores que sofrem de curiosidade mórbida sempre que passam por um acidente.

 

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