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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

Tormento no supermercado e as carnes processadas...

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Ir às compras nunca foi tamanho tormento.

Entra a Susana no hipermercado. O marido Rui Pedro vem dois passos atrás, com cara de enterro:

- Então querida, que vamos comprar?
- As compras da semana.
- Porque é que não fazemos isto uma vez por mês e despachamos logo o assunto?
- Já sabes que alimentos conservados perdem nutrientes.
- Ok Susaninha. Paramos no talho e trazemos uns valentes bifes de vaca?
- Tás maluco Rui Pedro?? Não ouviste ontem no telejornal que a carne vermelha faz cancro? Queres que a tua família morra cedo, é isso??
- Pronto querida, trazemos antes umas salsichas? 
- Oh home, salsichas são carne processada! Nem pensar!

- Uns bifinhos de peru e fazemos um churrasco que o tempo até está bom.

- Churrasco? Não sabes que o carvão solta partículas de alcatrão?
- Frito?
- O óleo entope as artérias…
- Pronto Susana, levamos peixe e não se fala mais nisso! Peixe-espada?
- Tem mercúrio.
- Sardinha?
- Da pequenina não que, a espécie está em perigo.
- Escolhe tu então, eu vou buscar umas maçãs.
- Traz antes pêras, que as sementes de maçã possuem cianeto.
- OK querida

2 Minutos depois:
- Oh Rui, foste buscar as maçãs e trouxeste também coca-cola? Sabes a quantidade açúcar que isso tem? O açúcar branco é veneno!
- Levamos então umas cervejas?
- O álcool destrói o fígado.
- E se espremermos umas laranjas e bebemos sumo ao jantar? 
- Já dizia a minha avó "Laranja de manhã é ouro, à tarde prata, à noite mata"
- Pronto amor, bebemos água
- Água da torneira só filtrada, que está cheia de calcário!
- Arroz?
- Integral.
- E massas?
- Sem glúten Rui, já sabes como fico inchada.
- Farinha?
- Farinha refinada aumenta a glicose.
- Pão?
- Só de centeio.
- Umas bolachinhas?
- De arroz, que as outras têm gordura hidrogenada.
- (suspiro) então vou pegando o leite...
- Sem lactose, que o menino é intolerante!!!

O vício do Pinterest

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Tenho com o Pinterest uma relação amor-ódio.

Para quem não conhece, “Uma página cheia de tralha” é talvez a melhor descrição para o Pinterest.

 

Pesquisando por categorias tão distintas com “animais”, “humor” ou “DYI” encontro uma quantidade imensa de coisas giras. Depois de 5 minutos a ver “Pins” de coisas ao estilo “faça você mesmo” fico com vontade de transformar a minha garagem numa oficina e fazer mil e uma coisas maravilhosas a partir de colheres de plástico, pacotes de leite vazios, cola e tesoura. Esqueço-me sempre, enquanto por lá navego, que o meu jeito para a bricolage é abaixo de nulo. Normalmente por volta do Natal decido  fazer alguma coisa gira, dessas ao estilo do pinterest. Árvores de natal com rolhas e palitos, decorações para a árvore de natal com lãs coloridas. A verdade é que acabo sempre por deitar tudo no lixo, frustrada e com os dedos colados com supercola 3. O mundo no Pinterest é cheio de humor, gatos fofos, frases inspiradoras, penteados fashion. É também no Pinterest que eu descubro que quero redecorar a minha casa todas as semanas, e nunca o faço.

 

Também culpo o Pinterest pela baixa produtividade das minhas horas de almoço. Podia estar a fazer tanta coisa útil em vez de gastar 40 minutos por dia a divagar no Pinterest…

Acabo sempre por lá ir parar quando estou morta de tédio. E saio de lá a sentir que estive “inconsciente” durante todos esses minutos. Vi tanta coisa que não me lembro de nada… nem do meu nome.

Eleições: Será Síndrome de Estocolmo?

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 Começo a achar que a população portuguesa devia ser alvo de um case study sobre problemas de memória a longo prazo. Quando oiço comentários sobre o “voto útil” começo a ficar com comichões generalizadas pelo corpo todo.

Mas que merda é um voto útil? Todos os votos são úteis. Não há votos que valem por dois e outros que valem por meio-voto.

 

 Li ontem alguns comentários deste género algures pelos meandros do Facebook: “O partido com que eu mais me identifico até é o Z, mas como esses ainda não ganham eleições vou optar pelo voto útil e votar no PS”. A sério? É que os programas não são sequer parecidos…

 

Ora bem, façamos um exercício daqueles que podia sair num exame da 4ª classe:

  1. O António, o Pedro, o Rui e a Ana vão às urnas. O António vota no PS. O Pedro vota no PSD-CDS. O Rui e a Ana identificam-se com o programa do Livre/Tempo de avançar. No entanto, o Rui e a Ana querem ter um “voto útil” e por isso decidem votar antes no PS.

a) Quem ganha as eleições se a Ana e o Rui votarem de acordo com as suas convicções?

b) Quem ganha as eleições se a Ana e o Rui se acobardarem e optarem pelo “voto útil”?

 

As pessoas são levadas a acreditar que não há alternativas… que votar num partido que nunca tenha governado “não conta” porque não têm hipóteses. Outras porque acreditam que um partido que nunca governou, apesar de ser constituído por pessoas capazes, com currículos impecáveis e provas dadas em áreas de destaque, não saberiam governar um país. Mas, elucidem-me por favor, os que lá têm estado nas últimas décadas… sabem governar um país?

Ou estamos todos loucos ao “dar a outra face” pela vigésima vez, ou somos todos vítimas de Síndrome de Estocolmo. Apegamo-nos a quem nos trata mal a nós cidadãos e ao nosso país.

 

E a grande culpa desta teoria do voto útil estar tão enraizada na população portuguesa é dos nossos meios de comunicação. A cobertura noticiosa às campanhas eleitorais é tão vergonhosa que devia ser ilegal. O debate Passos-Costa começou com um comentário da Judite de Sousa que este "é o debate decisivo"? Isso é, logo à partida, reforçar a ideia na cabeça das pessoas de que apenas um dos dois partidos pode ganhar as eleições, de que a escolha deve ser feita entre estas duas opções. Isto é o mesmo que meter num ringue todos os partidos, supostamente em pé de igualdade, mas armar alguns com uma bazuca e outros com uma colher de pau.

Damos mais tempo de antena a tudo o que nos "adormece". Na Roma antiga era utilizado o “pão e circo” como forma de manter o povo alimentado e entretido, afastado da política e das questões sociais, portanto controlado.

Estupidificam as pessoas tratando futilidades com um destaque tremendo. Programas sem substância, sobre pessoas sem conteúdo que ganharam 15 minutos de fama.

 

E tempo de antena para o que realmente interessa? E resumos diários das principais medidas de cada partido? E entrevistas igualitárias? E cobertura aos partidos com menos expressão? Onde estão?