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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

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Eleições: Será Síndrome de Estocolmo?

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 Começo a achar que a população portuguesa devia ser alvo de um case study sobre problemas de memória a longo prazo. Quando oiço comentários sobre o “voto útil” começo a ficar com comichões generalizadas pelo corpo todo.

Mas que merda é um voto útil? Todos os votos são úteis. Não há votos que valem por dois e outros que valem por meio-voto.

 

 Li ontem alguns comentários deste género algures pelos meandros do Facebook: “O partido com que eu mais me identifico até é o Z, mas como esses ainda não ganham eleições vou optar pelo voto útil e votar no PS”. A sério? É que os programas não são sequer parecidos…

 

Ora bem, façamos um exercício daqueles que podia sair num exame da 4ª classe:

  1. O António, o Pedro, o Rui e a Ana vão às urnas. O António vota no PS. O Pedro vota no PSD-CDS. O Rui e a Ana identificam-se com o programa do Livre/Tempo de avançar. No entanto, o Rui e a Ana querem ter um “voto útil” e por isso decidem votar antes no PS.

a) Quem ganha as eleições se a Ana e o Rui votarem de acordo com as suas convicções?

b) Quem ganha as eleições se a Ana e o Rui se acobardarem e optarem pelo “voto útil”?

 

As pessoas são levadas a acreditar que não há alternativas… que votar num partido que nunca tenha governado “não conta” porque não têm hipóteses. Outras porque acreditam que um partido que nunca governou, apesar de ser constituído por pessoas capazes, com currículos impecáveis e provas dadas em áreas de destaque, não saberiam governar um país. Mas, elucidem-me por favor, os que lá têm estado nas últimas décadas… sabem governar um país?

Ou estamos todos loucos ao “dar a outra face” pela vigésima vez, ou somos todos vítimas de Síndrome de Estocolmo. Apegamo-nos a quem nos trata mal a nós cidadãos e ao nosso país.

 

E a grande culpa desta teoria do voto útil estar tão enraizada na população portuguesa é dos nossos meios de comunicação. A cobertura noticiosa às campanhas eleitorais é tão vergonhosa que devia ser ilegal. O debate Passos-Costa começou com um comentário da Judite de Sousa que este "é o debate decisivo"? Isso é, logo à partida, reforçar a ideia na cabeça das pessoas de que apenas um dos dois partidos pode ganhar as eleições, de que a escolha deve ser feita entre estas duas opções. Isto é o mesmo que meter num ringue todos os partidos, supostamente em pé de igualdade, mas armar alguns com uma bazuca e outros com uma colher de pau.

Damos mais tempo de antena a tudo o que nos "adormece". Na Roma antiga era utilizado o “pão e circo” como forma de manter o povo alimentado e entretido, afastado da política e das questões sociais, portanto controlado.

Estupidificam as pessoas tratando futilidades com um destaque tremendo. Programas sem substância, sobre pessoas sem conteúdo que ganharam 15 minutos de fama.

 

E tempo de antena para o que realmente interessa? E resumos diários das principais medidas de cada partido? E entrevistas igualitárias? E cobertura aos partidos com menos expressão? Onde estão?