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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

E na categoria de pior filme do ano...

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Visto que toda a gente anda por aí a fazer listas dos melhores de 2015, decidi eleger os que foram, para mim, o Pior Livro e o Pior Filme de 2015.

Na categoria de Pior Livro do Ano o vencedor é...(tambores)… “As 50 Sombras de Grey”.

E na categoria de Pior Filme do Ano o vencedor é…(tambores)… “As 50 Sombras de Grey”!

Não há dúvida que Fifty Shades of Grey é um fenómeno, conseguindo ganhar simultaneamente as categorias de pior livro e pior filme de 2015.

 

Começo por dizer que se ainda não o leram/viram, não o façam. São horas da minha vida que nunca irei recuperar…

 

Sou uma leitora entusiasta e não tenho paciência para pseudo-intelectuais, o que quer dizer que leio tudo, quase sem descriminação, desde os clássicos da literatura às novelas modernas, consoante me apeteça puxar ou não pela moleirinha. Assim, ouvi tanto sururu acerca dos livros, que caí na esparrela e li os três.

Ora bem, depois de ver a qualidade do primeiro podia e devia ter parado por ali. Mas visto que a história continua e eu não sou de desistir a meio de livros, li pois os três volumes, sempre na esperança de que aquilo fosse desenrolar para lá do porno e começasse a ter alguma coisa de enredo. Mas não, cheguei ao fim do terceiro e nada.

Só lhe chamam romance para que as pessoas não se sintam envergonhadas a comprar. É mau, é muito mau.

 

Digamos que, se retirarmos as cenas de sexo e as palavras “Anastasia” e “Christian”, em vez de 3 volumes ficamos com um livro de bolso. O enredo é péssimo, previsível, cliché.

 

Tentei olhar para aquilo como uma novela erótica, baixando assim as exigências quanto a um bom enredo. Mas a verdade é que, para novela erótica, é demasiado grande e as cenas de sexo não são assim nada de extraordinário.

 

Para quem não leu, aqui fica um resumo da “história” (Atenção aos spoilers):

Ele é um executivo de 27 anos, bilionário, bonito e pervertido. É incapaz de sentir empatia, é mimado, habituado a ter tudo o que quer e vê as mulheres como objectos sexuais. É também um predador com gostos sádicos e dominadores que mantém mulheres como escravas sexuais mediante um contrato, certamente ilegal.

Ela é uma estudante universitária de 21 anos, virgem, ingénua e sem sal, que se apaixona pelo charme do milionário e é levada a aceitar todas as condições impostas por ele, que passa assim a ditar-lhe o que vestir, o que comer, onde viver, etc. Passa a ser controlada completamente pelo dominador, satisfazendo todas as suas vontades físicas e emocionais.

Depois de muito sexo javardo entre os dois e umas cenas de ciúmes de ex-namoradas ao estilo das melhores novelas mexicanas, para tornar a cena mais “à conto de fadas” ele acaba por se apaixonar por ela também, deixa de ser tão filho da mãe como era no início dos livros e vivem felizes para sempre.

 

Para as pessoas que adoraram os livros e esperaram ansiosamente pelo filme: desculpem-me a sinceridade deste post. Para 2016, se a ideia é ficarem “no ponto”, vão à internet e vejam um vídeo de 5 minutos, os vossos maridos agradecem com certeza. Se a ideia é lerem um bom romance… fica a dica, este não é um deles!

Ano novo, vida... ups.

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Todos os anos, por esta altura, o meu cérebro faz uma reflexão do ano que passou e uma antevisão do ano que vai entrar.

Não tomo a decisão de reflectir no ano que passou. Não me sento de caneta e bloco em punho e digo: “ora bem, vamos lá reflectir no que aconteceu desde Janeiro”.

Não. Este estado de reflexão apodera-se de mim. Não é triste, é apenas profundo. É como se o meu consciente falasse com a minha alma ao jeito da Adele: “Hello, it’s me… então cá nos encontramos novamente após mais um ano. Lembras-te do que falámos há 1 ano? E que tal? Aconteceu o que desejaste? Fizeste o que prometeste? ”

 

A passagem de ano não se resume à festa, aos copos, às lantejoulas e às rolhas do champanhe a saltar. Tem de haver o momento de viragem também. Parar e pensar: estou no caminho que tracei para mim?

É conhecida a tradição dos 12 desejos, com as 12 passas, às 12 badaladas.

No entanto, e talvez por não gostar de passas, não peço 12 desejos na passagem de ano.

Em vez de pedir desejos, traço objectivos e lanço-me desafios. De há cerca de 10 anos para cá que traço objectivos para mim própria em todos os réveillon. Duas ou três coisas que desejo atingir no próximo ano. Por vezes apenas uma, se for algo ambicioso.

 

Na passagem do ano de 2006 para 2007, decidi que queria tirar a carta de condução. Check.

Para 2008 o desafio foi comprar o meu primeiro carro, de encontrar um bom infantário para o meu filhote e viajar. Check.

Em 2010 fui ambiciosa, e propus-me a fazer os exames de admissão à faculdade, entrar no curso de Jornalismo e arranjar forma de conjugar as aulas com o trabalho e com o meu papel de mãe. Ah, e viajar. Check. Check. Check.

Para 2013 decidi comprar casa… e viajar. Check.

Para 2014 tracei o objectivo de fazer aquilo de que gosto, escrever. Escrevi e publiquei um livro. Check.

Para 2015 decidi ficar boa, tornar-me mais forte e saudável. Deixar de fumar e fazer mais exercício. Check.

 

Não custa nada traçar objectivos para nós próprios. Desafiarmo-nos a concretizar um sonho. E sabermos perdoar-nos se eventualmente, um ano depois, não aconteceu.

Porque a verdade é que, por muito que eu saiba o que quero para mim e onde pretendo estar daqui a um ano, por vezes a vida simplesmente não colabora. E quando é assim, “bola prá frente” que um novo ano começa agora e vem carregadinho de novas possibilidades.

 

Não sei se acontece o mesmo convosco, mas todos os anos por esta altura sinto o tempo mais a sério e noto como um ano passou num segundo. Sinto o passado presente em mim. Não apenas o ano que acabou, mas todos os anos desde que me lembro de mim. Não me pesa e não me prende. Sinto os anos acumulados debaixo dos meus pés. Foram eles que me trouxeram aqui, a este momento específico em que oiço o fogo-de-artifício a rebentar e vejo o céu iluminar-se às cores. E de cada vez que um foguete rebenta, liberta-me do que passou e enche-me de esperança para o que virá. 

 

Bom ano de 2016… and don’t be afraid to follow your dreams!