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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

Ano novo, vida... ups.

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Todos os anos, por esta altura, o meu cérebro faz uma reflexão do ano que passou e uma antevisão do ano que vai entrar.

Não tomo a decisão de reflectir no ano que passou. Não me sento de caneta e bloco em punho e digo: “ora bem, vamos lá reflectir no que aconteceu desde Janeiro”.

Não. Este estado de reflexão apodera-se de mim. Não é triste, é apenas profundo. É como se o meu consciente falasse com a minha alma ao jeito da Adele: “Hello, it’s me… então cá nos encontramos novamente após mais um ano. Lembras-te do que falámos há 1 ano? E que tal? Aconteceu o que desejaste? Fizeste o que prometeste? ”

 

A passagem de ano não se resume à festa, aos copos, às lantejoulas e às rolhas do champanhe a saltar. Tem de haver o momento de viragem também. Parar e pensar: estou no caminho que tracei para mim?

É conhecida a tradição dos 12 desejos, com as 12 passas, às 12 badaladas.

No entanto, e talvez por não gostar de passas, não peço 12 desejos na passagem de ano.

Em vez de pedir desejos, traço objectivos e lanço-me desafios. De há cerca de 10 anos para cá que traço objectivos para mim própria em todos os réveillon. Duas ou três coisas que desejo atingir no próximo ano. Por vezes apenas uma, se for algo ambicioso.

 

Na passagem do ano de 2006 para 2007, decidi que queria tirar a carta de condução. Check.

Para 2008 o desafio foi comprar o meu primeiro carro, de encontrar um bom infantário para o meu filhote e viajar. Check.

Em 2010 fui ambiciosa, e propus-me a fazer os exames de admissão à faculdade, entrar no curso de Jornalismo e arranjar forma de conjugar as aulas com o trabalho e com o meu papel de mãe. Ah, e viajar. Check. Check. Check.

Para 2013 decidi comprar casa… e viajar. Check.

Para 2014 tracei o objectivo de fazer aquilo de que gosto, escrever. Escrevi e publiquei um livro. Check.

Para 2015 decidi ficar boa, tornar-me mais forte e saudável. Deixar de fumar e fazer mais exercício. Check.

 

Não custa nada traçar objectivos para nós próprios. Desafiarmo-nos a concretizar um sonho. E sabermos perdoar-nos se eventualmente, um ano depois, não aconteceu.

Porque a verdade é que, por muito que eu saiba o que quero para mim e onde pretendo estar daqui a um ano, por vezes a vida simplesmente não colabora. E quando é assim, “bola prá frente” que um novo ano começa agora e vem carregadinho de novas possibilidades.

 

Não sei se acontece o mesmo convosco, mas todos os anos por esta altura sinto o tempo mais a sério e noto como um ano passou num segundo. Sinto o passado presente em mim. Não apenas o ano que acabou, mas todos os anos desde que me lembro de mim. Não me pesa e não me prende. Sinto os anos acumulados debaixo dos meus pés. Foram eles que me trouxeram aqui, a este momento específico em que oiço o fogo-de-artifício a rebentar e vejo o céu iluminar-se às cores. E de cada vez que um foguete rebenta, liberta-me do que passou e enche-me de esperança para o que virá. 

 

Bom ano de 2016… and don’t be afraid to follow your dreams!