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(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

(Sem) Manual de Instruções

Porque a vida não tem manual de instruções. Um pouco de tudo o que é importante, tratado com uma pitada de sátira e sarcasmo!

Feminismo: ugh, que palavra feia!

 A propósito do dia da mulher, decidi traduzir para aqui este magnifico discurso da jovem actriz Emma Watson nas Nações Unidas, porque nem toda a gente tem de perceber Inglês e o discurso É BOM DEMAIS!

E sim, a Emma Watson é a menina que faz de Hermioni nos filmes do Harry Potter :))

De tirar o chapéu. Subscrevo cada palavra, cada pausa, cada expressão. Ora aqui vai:

 

"Estamos hoje a lançar uma campanha chamada HeForShe. Venho falar-vos porque precisamos da vossa ajuda. Pretendemos acabar com a desigualdade entre géneros, e para isto, precisamos de ter toda a gente envolvida. Esta é a primeira campanha do género nas Nações Unidas. Queremos tentar mobilizar o máximo possível de homens e rapazes para serem os defensores da mudança. E nós não queremos apenas falar sobre o assunto. Queremos garantir que isto seja tangível!

Fui nomeada como Embaixadora da Boa Vontade pela UN Women há seis meses. E quanto mais eu falava acerca de feminismo, mais me apercebi que lutar pelos direitos das mulheres é muitas vezes considerado como ódio aos homens. Se há algo que eu sei com toda a certeza, é que isto tem de acabar.

Para que fique registado, a definição de feminismo é a crença de que homens e mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais. É a teoria da igualdade de género política, económica e social.

Comecei a questionar-me acerca de estereótipos baseados no género há muito tempo. Aos 8 anos ficava confusa por me chamarem mandona por querer ser eu a realizar a peça de teatro que íamos apresentar aos nossos pais, mas os rapazes não o eram. Quando tinha 14 anos comecei a ser sexualizada por alguns meios de comunicação. Aos 15 anos as minhas amigas começaram a desistir dos desportos pelos quais eram apaixonadas, por medo de parecerem musculadas. Quando eu tinha 18 anos, os meus amigos rapazes eram incapazes de expressar os seus sentimentos.

Eu decidi que era feminista, e isto era algo descomplicado para mim. Mas as minhas pesquisas recentes mostraram-me que essa se tornou numa palava impopular. As mulheres estão a optar por não se identificar como feministas. Aparentemente, eu faço parte do grupo de mulheres cujas expressões são vistas como demasiado fortes, demasiado agressivas e anti-homens. Feias, até.

Porque é que esta palavra se tornou tão desconfortável? Eu sou Britânica, e eu acho que é justo ser paga o mesmo que os meus conterrâneos masculinos. Eu acho que é justo poder tomar decisões acerca do meu corpo. Eu acho que é correcto que as mulheres sejam incluídas em meu nome nas decisões politicas que vão afectar a minha vida. Eu acho que é justo que, socialmente, me tenham o mesmo respeito que têm aos homens.

Mas, infelizmente, posso afirmar que não existe um único país no mundo onde todas as mulheres possam esperar ter estes direitos. Nenhum país no mundo pode dizer, por enquanto, que atingiu a igualdade entre géneros. Estes direitos, eu considero serem direitos humanos, mas eu sou uma das sortudas.

A minha vida é um verdadeiro privilégio porque os meus pais não me amaram menos por ter nascido mulher. A minha escola não me limitou por ser rapariga. Os meus mentores não assumiram que eu não chegaria longe por poder um dia vir a dar à luz uma criança. Estas influências foram os embaixadores para a igualdade de géneros que fizeram de mim quem eu sou hoje. Eles podem não o saber, mas são inadvertidamente os feministas que estão a mudar o mundo. Precisamos de mais destes.

E se ainda odeias a palavra não é a palavra que importa. É a ideia e a ambição por trás dela, porque nem todas as mulheres tiveram os direitos que eu tive. Na verdade, estatisticamente, muito poucas os tiveram.

Em 1997 Hillary Clinton deu um famoso discurso em Beijing acerca dos direitos das mulheres. É uma tristeza que muitas das coisas que ela queria mudar ainda se mantenham na mesma. Mas o que me chamou mais a atenção foi que menos de 30 por cento da audiência fosse masculina. Como é que podemos operar uma mudança no mundo quando apenas metade dele é convidado e se sente bem-vindo a participar nas conversações?

Homens, gostaria de aproveitar esta oportunidade para vos convidar formalmente. Igualdade de géneros é um problema vosso também. Porque até hoje eu vi o meu pai ter o seu papel parental desvalorizado pela sociedade, apesar de eu enquanto criança ter precisado tanto da presença dele como da minha mãe. Vi homens novos a sofrer com doenças mentais, incapazes de pedir ajudar por medo que isso os diminuísse enquanto homens. Na realidade, no Reino Unido o suicídio é a maior causa de morte em homens entre os 20 e os 49 anos, eclipsando causas como acidentes rodoviários, cancro e doenças coronárias. Já vi homens fragilizados e inseguros por um distorcido rótulo do que constitui sucesso masculino. Os homens também não têm os benefícios da igualdade.

Não falamos com frequência sobre homens aprisionados por estereótipos de género, mas consigo ver que eles o estão e quando os homens forem livres, as coisas vão mudar para as mulheres naturalmente. Se os homens não tiverem de ser agressivos para serem aceites, as mulheres não se sentirão compelidas a ser submissas. Se os homens não tiverem de ter o controlo as mulheres não terão de ser controladas.

Tanto os homens como as mulheres deveriam sentir-se livres para ser sensíveis. Tanto os homens como as mulheres deveriam sentir-se livres para ser fortes. Está na altura de percepcionarmos o género num espectro em vez de dois ideais opostos. Se pararmos de nos definir por aquilo que não somos e começarmos a definirmo-nos por aquilo que somos, poderemos todos ser mais livres, e esta é a essência do HeForShe. É acerca de liberdade.

Eu quero que os homens “vistam este manto” para que as suas filhas, irmãs e mães possam ser livres do preconceito, mas também para que os seus filhos tenham permissão para ser vulneráveis e humanos também, para recuperarem essas partes deles próprios que abandonaram e que dessa forma se tornem numa versão mais completa e verdadeira deles próprios.

Estarão vocês a pensar “Quem é esta rapariga do Harry Potter e o que é que ela está a fazer a discursar na UN?” e é uma boa pergunta. Tenho-me andado a perguntar o mesmo.

Tudo o que eu sei é que eu me preocupo com este problema e que quero torná-lo melhor. Tendo visto o que eu vi, e tendo agora esta oportunidade, sinto que tenho a responsabilidade de dizer algo.

Statesman Edmund Burke disse, “Tudo o que é necessário para as forças do mal triunfarem é que as boas pessoas não façam nada.”

Nos momentos de nervosismo e dúvida acerca deste discurso disse firmemente a mim própria o seguinte, “Se não for eu, quem será? Se não agora, quando?”. Se algum dia tiveres dúvidas semelhantes perante oportunidades, espero que estas palavras te sejam úteis. Porque a realidade é que se nada for feito vão demorar mais 75 anos, eu estarei a fazer quase 100 anos de idade, até as mulheres poderem esperar receber o mesmo que os homens, pelo mesmo tipo de trabalho. 15.5 Milhões de raparigas irão casar nos próximos 16 anos ainda crianças. E, ao ritmo actual, apenas em 2086 as raparigas africanas das zonas rurais poderão ter acesso ao ensino secundário.

Se acreditas em igualdade então poderás ser inadvertidamente uma dessas feministas de que eu estava há pouco a falar, e por isso, tens o meu aplauso. Estamos a lutar por um mundo unido, mas a boa notícia é que temos agora um movimento de união. Chama-se HeForShe. Convido-vos a avançar, a serem vistos e a perguntar a vocês próprios, “Se não for eu, quem? Se não agora, quando?”.

Muito, muito obrigado."

 

Obrigada Emma Watson. Magnífico. xx You go girl! xx

Não são Portugueses, não são Europeus... mas são seres humanos em perigo de vida.

Começo a ficar irritada com os movimentos contra a ajuda aos refugiados, não porque não tenham todos direito à sua opinião (200% a favor da liberdade de expressão) mas repito aqui alguns comentários que fiz a esse tipo de posts:

Essa é a mesma mentalidade dos que são contra as associações de defesa dos animais "Com tantas pessoas com necessidades preferes ajudar os bichos?". Cada um deve ajudar as causas que lhes tocam e fazem sentido para si. E não é verdade que os Portugueses não ajudem os próprios, nesta altura de crise multiplicaram-se as instituições de solidariedade, os voluntários e as doações... Eu ajudo os mais próximos como posso, de uma maneira mais directa até. Através de doações de vestuário, recolha de alimentos ou tudo o que está ao alcance. Neste caso, não estando próxima das pessoas que precisam de ajuda, a minha intervenção passa pela escrita. Com palavras também se move o mundo.

E atenção a dois pontos em que poucos estão a tocar: 1º os refugiados que vierem para Portugal não vão ser ajudados monetariamente com fundos nossos (haverão fundos europeus destinados para o efeito). Por cada refugiado acolhido Portugal vai receber X para "o sustentar". 2º Temos imensos jovens que foram obrigados a emigrar por falta de trabalho em Portugal. (todos temos um caso próximo, um amigo, um filho, um sobrinho, um afilhado). Como é que queremos que eles sejam tratados nos países para onde foram? Como parasitas que foram roubar o trabalho aos locais? Ou como pessoas qualificadas que fugiram à pobreza e ao desemprego e que merecem lutar por oportunidades onde as há?

Por fim: Eu compreendo essa imensa vontade de ajudar primeiro os nossos antes de acolher mais necessitados. Mas estamos a falar de uma crise humanitária de gigantescas proporções!!!!! Alguém tem de fazer algo. Não são Portugueses, não são Europeus, mas são seres humanos em perigo de vida. Não é porque simplesmente correm o risco de dormir na rua e só se alimentarem em instituições. É porque fogem da guerra, fogem de ver os seus filhos mutilados, as suas filhas violadas e vendidas, o seu mundo destruído. Todos devem ajudar, os que podem mais e os que podem menos. Tantas vezes vemos pessoas a ajudar os outros quando mal têm para si!

Refugiados: choquem as pessoas por favor!

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 Vejam se entendem uma coisa: eles não procuram uma vida melhor. Eles procuram sobreviver. Hoje li vários editoriais em que as publicações se debatiam sobre se deviam publicar ou não as imagens de crianças mortas a tentar chegar à Europa. As imagens que os jornais nos mostram são chocantes? A realidade do que está a acontecer é que é chocante! Choquem as pessoas por favor! Choquem-nas. Deixem-nas arrepiadas de horror e com lágrimas nos olhos. Porque as pessoas precisam desse choque de realidade para agir. Orgulho-me de pensar que nós portugueses partilhamos a fatia de pão com quem mais precisa, mesmo que seja a última. E quando vamos para a cama com o estômago a roncar, vamos com o coração cheio de alegria pela diferença que fizémos. Eu não quero fazer parte de uma Europa que ergueu muros e deixou milhares a morrer do lado de fora. Não quero viver numa ilha rodeada por um cemitério de corpos e corpos amontoados que morreram a tentar entrar. A recusa em ajudar alguém que corre perigo de vida é matá-la com nossa a indiferença. Não nos vamos fechar nesta redoma e justificar esse acto com a nossa própria crise económica. Sim, Portugal está em crise, sim também temos crianças com fome por cá e famílias a viver em pobreza extrema. Mas...nós temos esta crise humana em Portugal criada por uma crise económica de dividas de má gestão. A Grécia também a tem, pior ainda. E quantos refugiados estão a entrar na Grécia pelo mediterrâneo?? Vamos entrar numa discussão sobre que países têm ou não condições para os acolher? Isso é empurrar para os outros... Lavar as mãos do problema que é urgente, de direitos humanos e que dizemos "não é nosso". A pobreza em Portugal tem sim de ser combatida, mas ajudar os outros não implica não ajudar os nossos. Já dizia Amália Rodrigues; "Numa casa portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa. e se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co'a gente. (...) A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente."